04 setembro, 2011


Ouviu-se por momentos um pequeno som, um som baixo, um gemido prolongado, um choro lamentoso que era horrível. O som do desespero. Era o som feito por alguém tão perdido no seu próprio desgosto que já não conseguia funcionar e que já não conseguia fazer mais nada a não ser emitir um ruído que parecia ser o da própria morte. Desagradável e contínuo. Imparável. Fazia-se ouvir sem cessar. De uma maneira que de facto me arrepiou. O vestido comprido de algodão estava-lhe colado ao corpo, numa série de grumos húmidos de formas estranhas, ajudando a compor uma imagem esbatida, tão imprecisa e tão indefinida. O ambiente era horrível. Pequeno, escuro sobretudo desconcertante.